Agustina por Alberto Hébil

Este retrato encomendado ao pintor Alberto Hébil (Arouca, 1913 – Coimbra, 1998), esteve exposto na Livraria Portugália, no Porto, por ocasião do lançamento do segundo livro da autora, Os Super-Homens de 1950. Trata-se de um romance inspirado na vida académica coimbrã, que Agustina conheceu nos primeiros anos de casada, quando ali viveu, estando seu marido, Alberto Luís, a concluir o curso de Direito, tendo também ilustrado a primeira edição da obra.

Na época os escritores Aquilino Ribeiro e Ferreira de Castro elogiaram a obra e já preconizavam o seu valor nas letras portuguesas:

«Livro magnífico. Magnífico de observação, portanto de análise. Igualmente de estilo.» (Aquilino Ribeiro)

«No seu livro não há ingenuidades. Ele parece demonstrar todo um belo trabalho de preparação anterior, de filtragem, de controle. Não há dúvida que V. tem talento e se estreia bem.» (Ferreira de Castro)

O pintor Hébil, contemporâneo de Agustina durante a sua estadia em Coimbra, fez os seus estudos na Academia de Belas Artes de Paris e no final da década de 60 partiu para Nova Yorque onde abriu a galeria de arte Coimbra Galery of Modern Art. Tornou-se especialmente conhecido pela representação de noturnos, de procissões e de retratos. Faleceu em Coimbra a 2 de Agosto de 1998.

Legenda da imagem:

Retrato de Agustina Bessa-Luís

Autoria: Alberto Hébil

Óleo sobre tela.

Data: 1950

Excerto da obra Os Super-Homens:

«Pedro, deixa Coimbra no fim do curso, e do patamar da estação olhou a cidade:

“Eis-me aqui” - disse, para si mesmo -. “Eis-me aqui no limiar da maturidade. Eis-me, sem um plano, sem a força de personalidade bastante para descobrir o meu próprio caminho. Nesta época em que ninguém tem a ousadia de usar o seu próprio eu, e todos se apresentam com a remendada indumentária do sociólogo, do filósofo ou do político - eu surjo na ansiedade pura do conhecimento. No limiar da minha maturidade, aqui estou, mais só, mais fraco e desorientado do que jamais julguei estar. Bani de mim a recordação do aprendido? Minha alma quisera ser como uma criança livre de cultura e que abre os olhos para o sol. Eis-me porém no limiar da maturidade – e cego, submerso e já exausto, antes mesmo de ter cruzado os meus passos na vida. Qual o meu lugar no futuro? O de grande espírito tacanho, um erudito? Não. Se tenho que enfileirar à cabeça da mediocridade, que o faça na minha condição de existência irónica. Inútil e parasitária… Mas é possível, sim, é possível que eu possa crer na minha capacidade de herói…pudesse eu ter esperança…esperança….»

(Agustina, Os Super-Homens, 1950)

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