“Agustina Bessa-Luís e a Experimentação do Mundo”

Tendo por objectivo a criação de «um lugar de encontro de leitores e admiradores da obra de Agustina Bessa-Luís», é com satisfação que o Círculo Literário Agustina Bessa-Luís vem informar que decorreu no passado dia 13 de Dezembro de 2016, a defesa de uma Dissertação de Mestrado intitulada “Agustina Bessa-Luís e a Experimentação do Mundo”, da autoria de Miguel Zenha.

A prova decorreu no Departamento de Estudos Portugueses da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa, e obteve a classificação de 20 valores.

A defesa teve como júri as Professoras Paula Cristina Costa (Presidente), Luciana Brandão Carreira (arguente) e Silvina Rodrigues Lopes (orientadora), que assina o prefácio de Elogio do Inacabado.

A dissertação resulta da leitura de dois textos de Agustina Bessa-Luís, publicados na obra Elogio do Inacabado (Fundação Calouste Gulbenkian, 2014). Trata-se de uma obra que reúne cinco textos da autora nomeadamente: Homens e Mulheres; As Grandes Mudanças; Coração-de-Água; O Caçador Nemrod e Os Meninos Flutuantes. A obra Elogio do Inacabado contém esboços de romances que Agustina Bessa-Luís escreveu durante um interregno editorial que só terminou em 1970, com a publicação de As Categorias.

M. Zenha, por sua vez, parte dos textos O Caçador Nemrod e Os Meninos Flutuantes, de modo a «sinalizar alguns eixos de problematização (…) presentes na obra de Agustina Bessa-Luís: concretamente, a relação original que se estabelece com o instituído, i.e., a experiência, o passado e a memória.»

Ainda, segundo o autor: «na escrita de Agustina são propostos contínuos e singulares caminhos e formas com os quais o sujeito pode, se disso for capaz, construir a sua própria insurreição, insurreição essa sempre única e, em grande medida, intransmissível: não confessável como o encontro de Walter com o devir. O binómio interior-exterior, a “culpa” ou a “desproporção” são marcas daquele temperamento que, longe de ser simultaneamente desolado e artificial, também dá pelo nome de experimentação do mundo. É através da capacidade de erigir a individualidade, distinta do individualismo, que se jogará a dissonância.

Porque a literatura, mais do que significar, cria, a obra de Agustina Bessa-Luís apresenta-se como uma das mais interessantes criadoras de linhas-de-vida que não impõem, antes abrem espaços em branco densificáveis – e daqui parte o afastamento perante quem olha para a obra da autora como ensimesmada ou dogmática. A descoberta e o incerto cabem no inclassificável, porque como lemos em Contemplação Carinhosa da Angústia, “Ama-se a palavra, usa-se a escrita, despertam-se as coisas do silêncio em que foram criadas.”»

Miguel Zenha nasceu em Lisboa (1987), é licenciado em Direito (2010) pela Universidade de Direito de Lisboa, e ingressou em 2014 no Mestrado em Estudos Portugueses da FCSH.

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